Memórias de Muras

9.5.09
3:01 PM

Auf Wiedersehen
Se tem uma experiência que eu pouco tive na vida foi com a morte, e talvez por isto mesmo eu tenha dificuldade de lidar com ela.

Lá na minha infãncia, eu de certa forma acreditava em reencarnação de um modo bastante particular. Não sei dizer ao certo, mas era como se as pessoas cumprissem ciclos em cada vida, como sem em cada ciclo, fossem necessárias metas, e no não cumprimento delas, a pessoa voltava. Mas eram pensamentos filosóficos de uma criança, ou seja, se misturam com a imaginação de qualquer outro assunto, ainda mais quando não se tive vivido uma experiência próxima para tal pensamento.

Não sei se acredito nisso ainda... alias, assuntos de temática religiosa sempre serão um tema bastante controverso em minha vida.

Quase todos os meus avós morreram quando eu era muito novo, antes dos 5 anos de idade. O que morreu bem depois, meu avô paterno, o saudoso Sr Ezechias, foi-se quando eu tinha 14 anos. E não posso dizer que foi fácil... enquanto todos tinham histórias com seus avós, eu só tive com ele, e sua incrivel paciência comigo, que era uma criança nervosa e agitada. As vezes reencontro cartas que ele mandava ao meu pai, escritas bem ao modo como eu me recordo dele: "formal e educado". Afinal, ele estava acostumado a vir para a Capital de trem pela E.F. Sorocabana e descer na magnífica estação Júlio Prestes, no centro, e tudo requeria dele a sua melhor roupa (terno de linho italiano completo, até com colete e chapéu) e um sapato relusente como um espelho.

Eu não consegui ir para o interior para ve-lo. Até porque, o único velório que eu tinha ido até então, tinha sido do filho de uma amiga da minha mãe, e mesmo não o conhecendo, foi uma experiência bastante marcante para mim.

Depois disto, apenas algumas pessoas próximas morreram nesse meio de caminho, sendo duas mais marcantes: Emily, com leucemia, em 96, e Cristiano, num acidente de trânsito, em 2004. E foi ai que eu vi uma coisa interessante. Nestes momentos, as pessoas tendem a se reaproximarem umas as outras, numa tentativa de se alivio mútuo da dor, e de transformar esta dor em lembrança e fechar um capitulo das nossas histórias, sem jamais se esquecer deles. De repente, o ocorrido as realinham, e isto é uma das coisas positivas num momento destes, não apenas pela dor mútua que sentem, mas por enxergarem que se houve um realinhamento, é porque, na verdade, se reconheceu um desvio.

Independente de como é minha reação num momento destes, mesmo que seja apenas alguém que pouco conheci, mas muito simpatizei, o que eu sempre me proponho a compartilhar é um abraço, consolos, um ouvido muito grande, e algumas lágrimas, pois se eu choro ao rir...


Murilo fez a lembrança |


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